Capitalismo, democracia e o destino cósmico da humanidade.

A espécie humana, outrora confinada a um pequeno nicho ambiental na África, espalhou-se por todo o globo. Hoje exploramos, em quase todas as partes do mundo, os recursos energéticos disponíveis. É provável que um próximo ciclo exploratório venha a ocorrer no Ártico, devido aos efeitos do aquecimento global. Entretanto, grande parte dos seres humanos ainda vivem em situação lamentável de pobreza e miséria.

O grande desafio é como garantir um desenvolvimento social e econômico comparado ao europeu para essas populações (concentradas principalmente na América Latina, Ásia – sobretudo China e Índia – e África), sendo que os recursos do nosso próprio planeta são limitados – a menos que preferíssemos deixar a coisa como está e ficássemos indiferentes ao destino miserável e sub-humano de bilhões de pessoas (não, eu não errei, são bilhões mesmo). Para qualquer humanista como eu, tal hipótese deve ser descartada.

Podemos elencar algumas alternativas:

Implementar uma política socialista, onde todos os bens sejam igualmente divididos. Talvez resolveríamos um problema, mas criaríamos outros. Na maioria dos países socialistas, o problema da miséria não foi resolvido – caso da própria União Soviética –, além disso uma elite burocrática do partido era geralmente “mais igual” do que a média dos cidadãos. E, é claro, ainda que ataques à liberdade de escrever, de organizar-se e falar possam muitas vezes estar em perigo mesmo em regimes democráticos, tais liberdades foram sistematicamente destruídas nos, assim chamados, regimes socialistas, sem o contrapeso de uma sociedade civil forte para enfrentar os desmandos de ditadores que se viam como salvadores do povo (lembramos que nos países socialistas temos sempre a existência de um único partido político).

A segunda hipótese é conseguirmos, com o tempo, utilizar apenas energias renováveis, além – claro – de reutilizar e reciclar tudo o que utilizamos. Penso que é uma solução viável apenas se for acompanhada de uma mudança total em nosso estilo de vida, reduzindo o consumo ao máximo. Uma espécie de socialismo ecológico – que hoje em dia até funciona bem em poucas e restritas comunidades alternativas. Mas seria viável em escala global? Acredito ser muito difícil.

Por fim, podemos nos assumir como uma espécie cósmica, destinada a se espalhar pelo universo. Muitos veem a superpopulação em nosso planeta como resultado de nossa ganância e predativismo, eu vejo como um recado cósmico – como se o próprio cosmo nos alertasse de que este planeta é pequeno demais para nós, como foi a África para nossos ancestrais. Há dois planetas em nosso entorno (Marte e Vênus) e algumas luas de Júpiter e Saturno possíveis de serem terraformizados; além disso, há recursos minerais e energéticos quase infinitos na Lua e nos asteroides que nos rodeiam. E, ainda, fora do nosso Sistema Solar, planetas parecidos com a Terra, inclusive com a possibilidade de existir água, estão sendo descobertos.

Ficarmos presos na Terra diante de tal infinidade de possibilidades é tão incompreensível quanto seria se nossos ancestrais tivessem decidido ficar na África e ignorar os recursos disponíveis no restante do Planeta. Será que somos menos espertos e corajosos que nossos primitivos ancestrais?

Ao nos assumirmos como espécie cósmica, teremos a possibilidade de encontrar para a humanidade uma infinidade de novas possibilidades e recursos e, assim, garantir mais e melhores possibilidades de vida para todos os humanos. Ao optarmos por um sistema econômico capitalista e um sistema político democrático, forçosamente também optamos por um destino cósmico. Chegou a hora de seguir o exemplo de nossos antepassados africanos e iniciarmos a caminhada inexorável para um novo mundo, de infinitas possibilidades para todos os seres humanos.